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Ministra destaca ética como parte da formação médica de qualidade

Ela disse que a formação médica deve ser permanente, de qualidade e ir além da parte técnico-científica

Por CNON em 13/12/2023 às 11:40:13

A ministra da Sa√ļde, N√≠sia Trindade, disse, no in√≠cio desta semana, que os Ministérios da Sa√ļde e da Educação se preocupam e contribuem para uma formação médica permanente e de qualidade, que vai além da parte técnico-cient√≠fica.

"Formação médica de qualidade implica também a questão da ética médica, dos valores, do compromisso social. Não h√° dissociação, a meu ver, entre qualidade técnico-cient√≠fica e compromisso ético contribuir para uma formação médica de qualidade", frisou a ministra.

A ministra participou, em Bras√≠lia, da abertura do Projeto Formação Médica para o Brasil. Um olhar comprometido com a Responsabilidades Social no Século XXI, iniciativa da Associação Brasileira de Educação Médica.

Cursos

Para uma plateia formada, sobretudo, por médicos, a ministra Nisia disse que a recente expansão de novos cursos de medicina, da forma como foi realizada em instituições de ensino superior pelo pa√≠s, descumpre par√Ęmetros previstos desde 2014, por não atender regiões do pa√≠s carentes destes profissionais de sa√ļde e por ter baixa qualidade de ensino. "Esse é um grave problema porque não seguiu aqueles par√Ęmetros que diziam respeito, não só aos vazios assistenciais tão importantes, mas a questão da qualidade."

A ministra reconhece que h√° diverg√™ncias entre a classe médica e o poder p√ļblico no que diz respeito ao Programa Mais Médicos, retomado em 2023, mas, N√≠sia diz ter convicção de que, em conjunto, os dois lados poderão avançar em ações estruturantes para formação médica que conjugue a parte técnica de qualidade, com formação ética, dos profissionais que atuarão no Sistema √önico de Sa√ļde e na sa√ļde suplementar (planos de sa√ļde) e privada.

Neste ponto, o representante do Conselho Federal de Medicina, Julio Vieira Braga, discordou. O conselheiro entende que h√° limitações para interiorizar os cursos de medicina, no pa√≠s.

"Por mais que se queira levar cursos de medicina para locais remotos, temos a dificuldade nos locais com baixa população, com baixa qualidade de serviços de sa√ļde, com baixa quantidade de médicos. Então, é muito dif√≠cil, quando não imposs√≠vel, levar o curso de medicina. Precisamos garantir o m√≠nimo de qualidade para que esses cursos possam formar os médicos que vão atender a população pobre e carente, que acaba sendo atendida muitas vezes por profissionais de qualidade, no m√≠nimo duvidosa, j√° que não existe uma forma de avaliação."

Avaliação externa

O médico Julio Braga defende ainda que o Brasil adote um sistema de avaliação externa e independente, com reconhecimento internacional, dos formados em medicina. "Boa parte dos pa√≠ses do mundo fazem, todos os seus cursos são acreditados. No Brasil, não é obrigatória essa avaliação externa, porque o Ministério da Educação tem sua responsabilidade, o INEP [Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anisio Teixeira/MEC] faz sua forma de avaliação, mas entendemos que não é o mais correto".

Est√°gio

Os presentes no encontro também apontaram a fase do est√°gio do estudante de medicina como importante para melhorar a formação dos futuros profissionais. No entanto, o diretor cient√≠fico da Associação Médica Brasileira, José Eduardo Lutaif Dolci, alertou para a falta de vagas de est√°gio e de professores com capacitação para tal. "Quando falamos em qualificar os médicos que vão se formar, os egressos, precisamos colocar isso nas nossas diretrizes curriculares como obrigatoriedade. É importante sempre discutir a qualidade do nosso egresso, porque sem d√ļvida, vai repercutir na qualidade do atendimento à nossa população, na qualidade do médico do SUS".

A representante do Conselho Nacional de Secret√°rios de Sa√ļde (Conass), Francisca Valda da Silva, afirmou que o ensino superior na √°rea da sa√ļde não est√° atendendo às diretrizes, anteriormente propostas. Ela ainda lamentou a falta atualizações de cursos de formação para outras profissões de sa√ļde dentro do Ministério da Educação (MEC).

"Nossos desafios são muito grandes e nós temos que entender que a luta da qualidade nos re√ļne."

Atenção Prim√°ria

Ainda nesta segunda-feira, N√≠sia trindade participou do in√≠cio da 2¬™ Confer√™ncia Nacional de Planificação da Atenção à Sa√ļde (APS). O evento foi promovido pelo Conass.

Na sede da entidade, N√≠sia tratou dos desafios enfrentados pela sociedade brasileira. "Desafios demogr√°ficos, com o envelhecimento da população; clim√°ticos; do mundo do trabalho, que se diversificou e que perdeu muito dos v√≠nculos de proteção social; Desafios da ci√™ncia e tecnologia, como um grande fator de desigualdade entre os pa√≠ses e dentro do nosso próprio pa√≠s, essa que é uma das nossas marcas mais persistentes, mas também [desafios] da luta por equidade, que envolve não só a questão de classe social, mas questões de g√™nero, de etnia, ou seja, raça/cor. Lidamos com diversidades e desigualdades históricas."

Na abertura do evento, o secret√°rio executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, disse que é preciso fortalecer a atenção prim√°ria na sa√ļde p√ļblica. "Precisamos colocar recursos e, com persist√™ncia, fazer com que as ideias saiam do papel para que a APS se firme como uma pol√≠tica priorit√°ria, no Brasil", pontuou.

A 2a Confer√™ncia Nacional da Planificação da Atenção à Sa√ļde ocorre em Bras√≠lia até esta quarta-feira (12) e re√ļne profissionais de sa√ļde de todo o pa√≠s.

Fonte: Agência Brasil

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Marlene Rosa

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