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Membros de religiões de matriz africana fazem manifesto contra intolerância religiosa, em Dourados

A mobilização acontece neste sábado, às 9h, na Praça Antônio João e tem o objetivo de conscientizar a população

Por João Rocha em 23/05/2024 às 13:16:52

Na semana passada foi noticiada a violação de que três túmulos e o furto de dois corpos do Cemitério São Vicente de Paula, no município de Ponta Porã. Acontece que junto com as notícias também ocorreram vários comentários maldosos na internet contra algumas religiões de matriz africana, como Umbanda, Candomblé e Quimbanda.

Diante das agressões, no ambiente virtual, um grupo de líderes e membros dessas religiões decidiram realizar no próximo sábado (25), na Praça Antônio João, área central de Dourados, uma manifestação contra a intolerância religiosa e com o objetivo de levar informação para a população sobre essas práticas religiosas.

Manifesto contra a intolerância religiosa acontece sábado, às 9h, na Praça Antônio João

O pai de santo Moises Giraldi, da Tenda de Umbanda Filhos da Palha do Terreiro, diz que os locais e os membros dessas religiões sofrem constantemente ataques preconceituosos, algumas vezes saem do ambiente virtual e das agressões verbais passando para vias de fato e depredações de espaços. "Nós só temos a lamentar esses tipos de ataque. Acreditamos que eles acontecem fruto da falta de conhecimento".

Pai Moises explicou que as religiões de matriz africana tratam os mortos e os locais onde estes são sepultados com muito respeito. "Para nós o cemitério é um local sagrado. Pedimos licença para entrar. Em nenhuma hipótese iríamos violar o túmulo dos nossos ancestrais", concluiu o líder religioso.

O Ministério Público Estadual, em Dourados, pediu à Polícia Civil que investigue os casos de agressão e intolerância religiosa, praticados na internet, constatados por meio de reportagens sobre o furto de corpos no cemitério de Ponta Porã.

O promotor de Justiça João Linhares Júnior disse que essas manifestações preconceituosas precisam ser combatidas. Ele reitera que propagar mentiras ou atacar qualquer religião é crime, mesmo que essas ofensas ocorram dentro de um ambiente virtual.

"Quem comete esse tipo de crime, pode ter pena, que vai de um três anos e pode ser agravado se praticado na internet podendo chegar a cinco anos de reclusão e multa. Além disso as pessoas ou entidade atacadas podem ainda ingressar com processos coletivos, por danos morais, que geram indenizações com valores altíssimos", explica o promotor.

João Linhares reitera que mesmo que o autor da agressão apague os comentários maldosos, na internet, a polícia dispõe de tecnologias que conseguem recuperar as mensagens e identificar os responsáveis.

Fonte: CNON

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Marlene Rosa

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